Resenha: Jane Eyre – Charlotte Brontë

DSC_0152
Jane Eyre, órfã de pai e mãe, vive com parentes que a desprezam até ser enviada para a instituição de caridade Lowood. Apesar das inúmeras privações que enfrenta na escola, a menina leva uma vida quase feliz e se torna forte e independente. Aos 18 anos, decide partir para Thornfield e trabalhar como preceptora de Adèle, pupila do irônico e arrogante Edward Rochester. Jane Eyre narra, além de uma comovente história de amor, a saga de uma jovem em busca de uma vida mais rica do que a sociedade inglesa do século XIX tradicionalmente permitia às mulheres. via skoob


Antes de iniciar a resenha, é importante saber um pouco como era a época em que Charlotte Brontë escreveu esse livro para entendermos o quão o mesmo pode ser considerado revolucionário, principalmente paras as mulheres.

Jane Eyre foi publicado em 1847, claro que não levou o nome da autora pois naquela época o único papel de uma mulher era a obrigação de cuidar da casa e dos filhos, a era vitoriana em especial foi extremamente moralista e opressora além de possuir preconceitos rígidos.

Sabendo disso, podemos imergir um pouco na história de uma personagem marcante, destemida e encantadora.

DSC_0165
Jane Eyre vivia com sua tia Mrs Reed e seus primos, após a morte de seu tio que a cuidava com carinho e dedicação, ela passa a viver o famoso pesadelo da madrasta mas com uma tia.
Ela era considerada uma criança desnecessária na casa e sofria muitos abusos psicológicos de seus parentes, ainda com tudo isso, é visível que desde criança ela possui uma forte personalidade e diz tudo o que pensa, mesmo sabendo das consequências.

Jane é enviada para uma escola de crianças órfãs, Lowood, e lá ela vivencia momentos de tristeza mas também de felicidade, são 8 anos vivendo na instituição e lá ela aprende de tudo, língua estrangeira, costura e literatura.
Embora não tenha uma vida ruim, Jane muitas vezes passa fome e frio nesse lugar mas ela tem consciência de que é melhor do que viver com as pessoas ricas que a maltratavam.

“Pensei que uma etapa nova e mais feliz da vida estava começando para mim, e que teria flores e prazeres, tanto quanto espinhos e trabalhos.”

DSC_0157
A partir daí, aos 18 anos ela sai da instituição para viver sua própria vida e procura emprego de governanta/educadora, até que encontra em uma mansão sombria a pequena Adéle, que é uma menina francesa de 10 anos na qual ela se encarregará de cuidar, a menina é a protegida de Mr. Rochester, o novo patrão misterioso de Jane Eyre, e aos poucos eles percebem uma atração muito forte que os rondam,  a personagem terá que enfrentar diversos problemas como a grave diferença social entre os dois.

“Embora a situação social e a riqueza nos afastem profundamente, tenho alguma coisa no coração e na mente, no sangue e nos nervos, que me liga espiritualmente a ele.”

Charlotte Brontë nos presenteia com uma história incrível de superação e determinação de uma mulher no século XIX. Jane Eyre representa a todas nós até os dias de hoje, em que por incrível que pareça, ainda sofremos com a desigualdade por apenas sermos mulheres.

Eu diversas vezes pensei no quão revolucionária é essa história porque no momento em que foi publicada, a sociedade era cruel com seus preconceitos e moralismos, a desigualdade era um absurdo e as mulheres não tinham voz, mas Brontë tinha! e foi assim que ela criou uma personagem feminista. Jane Eyre sempre lutou pelo que queria fosse um trabalho, o realizar de um sonho, uma vida independente e até um amor verdadeiro sem preconceitos.

 “É inútil dizer que os seres humanos devem contentar-se com tranquilidade. Eles precisam de ação. E tem que buscá-la, se ela não vier ao seu encontro.”

Jane Eyre teve uma infância ruim, triste e solitária, ela poderia ter se tornado amarga ou uma pessoa sem esperanças, mas o que ela mostrou foi determinação, bondade e caráter.

 “Mesmo para mim, a vida tinha clarões de sol.”

 Dizer que eu me identifiquei com a personagem é pouco, eu praticamente me senti como ela em muitos momentos, seus pensamentos me fizeram mergulhar em sua mente e para mim a experiência de ler algo tão antigo que possui assuntos tão atuais me fez ficar maravilhada.

Jane em nenhum momento deixou de expor suas reais opiniões, mesmo que isso fosse afetá-la de alguma maneira, ela é uma personagem verdadeira que acima de tudo acredita nela mesma, ninguém consegue exercer a manipulação de seus sentimentos e pensamentos, ela fala -na lata- doa a quem doer.

 “É uma grande conquista: você é boa com aqueles que são bons com você. Isso é tudo que sempre desejei para mim. Se as pessoas fossem sempre boas e obedientes com aqueles que são cruéis e injustos, os maus teriam tudo a seu modo. Nunca sentiriam medo e assim nunca mudariam, mas se tornariam cada dia piores.”

 O romance é intenso e verdadeiro, Mr Rochester por muitas vezes é rude e direto, o que acaba por atrair Jane Eyre, que também é bem sincera… Não é uma história fofa de amor como os romances de Jane Austen, a história possui uma atmosfera escura e fria, um amor real, sem estipulações de beleza exterior, um amor que sobrevive a obstáculos devastadores na vida de ambos.

 “Os preconceitos, todos sabem, são mais difíceis de erradicar do coração cujo solo nunca foi revolvido nem fecundado pela educação. Eles se enraízam ali, firmes como ervas daninhas no meio das pedras.”

 Com uma narrativa em primeira pessoa, Charlotte Brontë nos permite mergulhar na intensa vida e sentimentos de Jane Eyre.
Jane Eyre, essa mulher tão a frente de seu tempo, independente e até posso dizer feminista, que não deixa suas opiniões e decisões de lado por ninguém, nem por seu grande amor.

 “(…)E é uma estreiteza de mente de seus companheiros mais privilegiados dizer que elas devem ficar limitadas a fazer pudins, tricotar meias, tocar piano e bordar bolsas. É insensatez condená-las, ou rir delas, se procurarem fazer mais ou aprender mais do que o costume determinou que é necessário ao seu sexo.”

5/5

5/5

postpor

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s