Resenha: A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

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Título: A Redoma de Vidro
Autora: Sylvia Plath
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 280

Sinopse: Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica. via skoob


Esther leva uma vida normal e não muito agitada, ela trabalha em uma redação de revista e com isso precisa estar em diversos eventos com gente rica e influente.
O livro começa com ela estando em Nova York e narrando um pouco do seu cotidiano, não há uma história exata com reviravoltas nesse livro, é apenas a personagem narrando de forma suave sua história, até que tudo fica intenso e obscuro.

Ao acompanhar a narração da personagem principal, aos poucos vamos percebendo sua decaída, e quando mal esperamos nos deparamos com algo muito profundo e intenso, a depressão de Esther se revela de forma sutil com seus pensamentos até chegar ao ponto máximo, algo angustiante.

” Me sentia muito calma e vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.”

Esther chegou a um ponto em que não parava de pensar em sua morte, em maneiras diferentes de como se matar, e acabou sento internada em uma clínica psiquiátrica na qual ela recebia tratamentos de choque.

É difícil para mim descrever uma personagem tão complexa, e embora ela seja uma pessoa diagnosticada com depressão, muitas vezes eu cheguei a me identificar com alguns de seus pensamentos, não aqueles de morte mas alguns que representavam o fato de que ela “não se encaixava” no mundo e não ter tanta fé nas pessoas.

“Eu queria mudança e agitação, queria ser uma flecha avançando em todas as direções, como as luzes coloridas de um rojão de quatro de julho.”

Por diversas vezes, foi incrivelmente bizarro a guerra entre a mente e o corpo de Esther, quando ela só pensava em se matar e até tentava, algo sempre dava errado de forma que fazia ela adiar a tentativa, e isso também se resultou em um lindo/obscuro momento do livro, aquela frase marcante que todos conhecem:

“Respirei fundo e ouvi a batida presunçosa do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou.”

8fafe6880dbf5840b7d1e774a1596399A Redoma de Vidro é um livro que merece ser lido em qualquer momento, mas se você estiver em um momento ruim, não recomendo por conta da grande intensidade de tudo o que acontece.

Sylvia Plath escreveu esse livro algumas semanas antes de cometer suicídio aos 30 anos de idade, a autora também tinha depressão e muito do que está escrito nesse livro revela a alma perturbada e as guerras interiores que ela possuía,  sem sombra de dúvida a personagem representava muito bem o que ela sentia, uma enorme necessidade de acabar com algo que nem ela mesma sabia.

“Era como se o que eu quisesse matar não estivesse naquela pele ou no leve pulsar azul sob o meu dedão, mas em outro lugar mais profundo e secreto, bem mais difícil de alcançar.”

Sylvia-Plath
“A Redoma de Vidro” embora não seja um livro longo, é extremamente intenso.
Eu esperava algo e me deparei com coisas diferentes, algumas eu gostei outras nem tanto, mas no geral é um livro profundo, que merece ser lido principalmente em seu original (pretendo ler em inglês futuramente) pois possui uma escrita bem poética.
Em alguns momentos me lembrei de “Garota, Interrompida” mas a depressão de Esther é muito mais grave e obscura, uma verdadeira redoma de vidro, esse livro também reforça o fato de que nos anos 60 a depressão era considerada praticamente uma loucura… talvez seja, mas acredito que todo mundo tem um pouco dessa loucura dentro de si, alguns apenas a desenvolvem.

“Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim”

4/5

4/5

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