Resenha: Laranja Mecânica – Anthony Burgess

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Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex – soberbamente engendrada pelo autor – empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de “1984”, de George Orwell, e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, “Laranja Mecânica” é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. via skoob


 Em um mundo distópico, Alex é um adolescente que possui uma gangue que causa terror nas noites de Londres. Ele e seus companheiros cometem a ultraviolência todos os dias, destruindo lugares, espancando pessoas, estuprando mulheres e roubando casas.
Essa é a vida dos sonhos do garoto, que possui um gosto peculiar para música e associa seus atos de violência com música clássica.
Após um evento mal sucedido em roubar a casa de uma senhora, Alex é pego por policiais e vai preso.
Nesse período o governo cria uma forma de “curar” pessoas agressivas e maldosas, a técnica Ludovico, e Alex é o primeiro a ser cobaia desse novo sistema que consiste em injetar substâncias que causam mal estar enquanto ele assiste a vídeos de ultraviolência, fazendo então com que ele associe o mal estar com isso e impedindo que ele cometa esses atos novamente, pois ele sentirá mal estar toda vez que pensar em violência.

“Isso era tudo. Eu estava condenado. E só tinha quinze anos.”

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O livro é narrado em primeira pessoa pelo Alex, e eu confesso que tentei odiar ele por tudo que fazia e pela forma como pensava, mas tudo o que senti foi um grande apego pelo personagem, que descreve sua história de forma simpática e íntima.
O começo da leitura é um pouco difícil, pois o personagem possui uma linguagem própria, o nadsat, que foi criado pelo próprio autor e é uma mistura da gíria inglesa com russo.
O objetivo do autor é de causar um estranhamento para o leitor até que ele se acostume com a linguagem, e eu indico que você leia sem olhar no glossário, aos poucos você entenderá tudo o que o Alex está dizendo e muitas vezes o próprio explica.

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Esse estranhamento seguido de um costume com a linguagem no final do livro, foi feito de forma proposital para nos inserir no mundo do personagem. É exatamente como se fosse uma lavagem cerebral, a mesma no qual o Alex passa ao decorrer da história. (e eu achei isso incrível).

“Um homem que não pode escolher deixa de ser um homem.”

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Laranja Mecânica aborda diversos temas polêmicos, que muitas vezes deixamos de lado ou temos opiniões muito extremas sobre eles.
Anthony Burgess coloca uma pulga atrás da orelha dos leitores, me fez refletir sobre bem e mau, livre arbítrio, política, totalitarismo, entre outras milhares de coisas.

Sem dúvidas vale a pena mergulhar nessa leitura rica, e também assistir ao filme de Kubrick, que foi uma adaptação extremamente fiel ao livro.

“Será que Deus quer bondade ou a escolha da bondade? Será que um homem que escolhe o mal é talvez melhor do que um homem que teve o bem imposto a si?”

obs: Essa edição de 50 anos é maravilhosa! e possui extras com alguns textos de Burgess explicando o que ele queria dizer com algumas atitudes de Alex, sobre do que realmente se trata Laranja Mecânica etc.

 “- Então, o que é que vai ser, hein?”

5/5

5/5

laararanpostpor

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